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28 de maio de 2024

InovaçãoOlfato em FocoProjetos - CPO

Lembranças e emoções pelo olfato: o que a ciência diz sobre esse sentido

Isto já deve ter acontecido com você: sentir o cheiro de uma fragrância e se lembrar de uma pessoa querida. Afinal, quem nunca teve lembranças e emoções pelo olfato?

O olfato é um dos sentidos mais poderosos e essenciais para a nossa percepção do mundo. Inclusive, ele é muito utilizado por humanos e outros mamíferos para reconhecer indivíduos da mesma espécie. 

Hoje em dia, sabe-se que fetos são capazes de processar estímulos olfativos presentes no útero. Mesmo meses após o nascimento, os bebês continuam a mostrar preferência por esses odores.

Daí, o termo “cheiro de mãe” ser tão popular…

Lembranças e emoções pelo olfato em números

Existem muitos estudos que nos permitem afirmar que olfato é sinônimo de emoção.

Com 400 receptores olfativos, o olfato humano é capaz de detectar 1 trilhão de aromas diferentes, segundo pesquisadores da Universidade Rockefeller. 

O nervo olfatório recebe todas essas informações, ele é o primeiro dos 12 nervos cranianos e um dos poucos que transporta apenas informações sensoriais especiais.

Para efeito de comparação, nosso olho consegue identificar 10 milhões de cores, enquanto o ouvido pode escutar quase meio milhão de tons.

Com todo esse poder, não causa espanto o estudo do pesquisador Martin Lindstrom, que afirma que 75% das nossas emoções diárias estão relacionadas aos cheiros que sentimos. Outra descoberta do cientista é que o olfato é o único sentido que faz conexão direta com as áreas das emoções e lembranças do cérebro.

Mulher cheirando flores. A imagem ilustra as emoções e lembranças pelo olfato.

Faz sentido afirmar que os odores nos permitem colorir as percepções do mundo. Os humanos podem percebê-los como agradáveis, desagradáveis ou neutros, influenciando nossas emoções e comportamentos. 

A neurociência explica como transformamos as informações químicas dos odores em memórias e como essas memórias podem desencadear diferentes tipos de respostas, sejam elas inatas ou aprendidas ao longo da vida.

Sentir um cheiro envolve muito mais do que apenas nosso nariz, que recebe os estímulos através dos receptores olfativos. As informações são processadas no bulbo olfativo e traduzidas pela amígdala (conteúdo emocional) e pelo córtex orbitofrontal (que codifica o prazer e a recompensa associados ao odor). O córtex pré-frontal guia então as decisões e o córtex cingulado anterior intermedia o aprendizado e a ação relacionados à recompensa.

Você sabe o que é anosmia?

Mas não é todo mundo que consegue vivenciar lembranças e emoções pelo olfato. Conhecida como “apagão olfativo”, a anosmia acomete cerca de 5% da população mundial. Essa condição pode ser permanente ou temporária.

A perda da capacidade de sentir cheiros, inclusive, foi um dos sintomas mais reconhecidos da Covid-19.

Infelizmente, muitas pessoas que sofrem de anosmia apresentam problemas de isolamento social e frustrações. Muitas vezes elas não conseguem compartilhar de muitos prazeres cotidianos, como sentir o gosto da comida, então preferem se isolar.Como uma forma de construir uma sociedade mais inclusiva, criou-se o Dia da Consciência da Anosmia, comemorado no dia 27 de fevereiro.

Grupo Boticário segue estudando o olfato

O Centro de Pesquisa do Olfato do Grupo Boticário tem como missão compartilhar conhecimentos e reforçar a importância desse valioso sentido no nosso dia a dia.

Para isso, o espaço fomenta estudos sobre as sensações causadas pelos cheiros e a performance e eficácia das novas fragrâncias. Até mesmo porque a experiência olfativa é individual, podendo variar conforme etnia, geração e cultura.